terça-feira, 30 de novembro de 2010

Cavalos na Livraria

Ao entrar na livraria Vanessa dirige o seu olhar ao atendente, que com seu sorriso de atendente lhe pergunta se pode ajudar. Apenas se você tiver aspirinas, pensa Vanessa, que lhe devolve o forçado sorriso e se encaminha para a sessão de livros sobre animais. Vanessa gosta muito de animais desde que seu avô lhe ensinou o hipismo. Herdando seu amor aos animais, especialmente cavalos, Vanessa gostaria de trabalhar com a medicina veterinária, mas suas escolhas (que não podemos dizer serem exatamente suas) recairam na engenharia. Francisco está atrasado e ela sabe que a culpa não é dele, pois naquele horário chegar no ponto em que marcaram é difícil. Olha as prateleiras dos livros e pensa consigo mesmo. Está cansada da medicridade cultural em que se transformou a literatura. Também está cansada de seu noivo, Francisco, com quem tem uma história de oito anos. Cansada do trabalho que tem, não para si, mas para a sociedade. Cansada de sua extrema beleza que cativa homens e mulheres, todos querendo seu sexo como porcos famintos. Cansada da vida tola e previsível que só a classe média pode oferecer. Cansada das comédias românticas industrializadas e das novelas que abundam em seu televisor, afinal, pensa ela, os roteiros são iguais. Queria ela poder fugir, aprender a voar e se afastar de tudo e todos, para bem longe.
Longe de vida fácil da TV, longe da tentação de acreditar numa bela vida, com um marido, dois filhos e um cachorro. Pobre Vanessa que queria apenas ter o dom da ignorância, mas, que para o seu azar, pensava. Não só seu azar, mas para o azar de todos ao seu redor. Viver é sofrer e fazer sofrer e para confirmar isso Vanessa decide matar o mundo. Mata o futuro daqueles que estão por perto dela. Vanessa rompe eu noivado, sai de seu emprego e some do mapa com o objetivo de se esquecer. Vanessa deixa essa vida para sumir da história.

sábado, 27 de novembro de 2010

Da incerteza da vida

As vezes, quase sempre, a vida é como um especial de tv: Sem sal e sem graça, daqueles em que a TV fica ligada enquanto a família (ou o que quer que valha) ficac conversando na sala. As vezes tudo que importa...tudo o que vc precisa é apenas de palavras e atos que te assegurem no mar revolto que é a vida.... Queremos controlar nossas vidas, mas no fundo ela nos controla. Tem coisas que quero que aconteçam de um jeito, mas temo (de certa forma até penso) que aconteça de outro. A sensação de eminente queda, em um precipício que sempre volta, me desespera. Só espero estar errado. Ao menos uma vez.